MORREU JOSÉ FONSECA E COSTA

Foto: Publico
O cinema e a cultura em geral estão mais pobres. José Fonseca e Costa morreu no passado Domingo no Hospital de Santa Maria, vítima de uma pneumonia, na sequência de leucemia. José Fonseca e Costa é considerado o símbolo da geração do Novo Cinema nos anos 1970 e realizador de filmes como Kilas, o Mau da Fita (1981), Sem Sombra de Pecado (1983, escrito com Mário de Carvalho e David Mourão-Ferreira), Balada da Praia dos Cães (1986, adaptação do romance de José Cardoso Pires) ou Cinco Dias, Cinco Noites (1996, adaptação da novela de Manuel Tiago, pseudónimo de Álvaro Cunhal), tinha 82 anos, e encontrava-se a filmar um novo filme, com produção de Paulo Branco, uma adaptação de Axilas, um conto do escritor brasileiro Rubem Fonseca, com argumento de Mário Botequilha.
O cineasta acabou por ser muito relevante nos anos 1980, principalmente pelo sucesso de Kilas, o Mau da Fita, oferecendo a Mário Viegas um papel inesquecível, num projecto que foi alimentado por uma utopia: fazer um filme de grande público português cuidando amorosamente do cinema. Nos seus filmes, o argumento era fundamental. Era um contador de histórias. Até 1988, com Sem sombra de pecado (também com Mário Viegas, ao lado de Victoria Abril), A Balada da Praia dos Cães (que deu a Raul Solnado um dos seus mais notáveis papéis dramáticos) e A Mulher do Próximo (que "recuperou" Vergílio Teixeira e Carmen Dolores), o realizador foi construindo como sabia e como podia um "cinema do meio". A Mulher do Próximo é o tipo de tragicomédia sofisticada que hoje parece completamente impossível e que, numa perspectiva puramente subjectiva, é talvez o melhor filme na obra do realizador.

(Adaptado do jornal “Publico”)