Rádio Boa Nova – De Oliveira do Hospital para todo o mundo.

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

SENTADO AO LUME - 2 - CRÓNICA SEMANAL

A TERRA DAS BATATAS

Longe vai o tempo em que Lagos da Beira era a terra das batatas. Todos os terrenos aráveis eram cultivados. Daqui saiam camiões de batatas deixando para trás muito trabalho, mas também muito lucro. Há 30 anos chegavam a pagar 1500 escudos (7.50€) a arroba (15Kg). No tempo em que se ganhavam vinte e poucos contos por mês era bom preço. Fazendo contas comparativas correspondia a 30.00€ hoje (2.00 €/Kg). Um preço incomportável e, mesmo assim, pouco lucrativo. O preço pago ao agricultor atingiu valores ridículos do tipo, um euro por quinze quilos. Mais vale deitar fora ou abandonar as terras. É isso que acontece. Olhando para os arredores de Lagos da Beira vemos erva, feno, silvas, tojos e giestas onde se viam verdadeiros jardins cultivados com a vaidade que os lagoenses têm nessas coisas. 

O que acontece com as batatas de Lagos, acontece com os outros produtos por todo o país. 70 porcento do terreno agrícola está abandonado. Que país é este que despreza assim os seus recursos naturais? Quem ganha com isso? Era importante que houvesse políticas fortes capazes de viabilizar a exploração agrícola e florestal. Dar subsídios não vale a pena porque o nosso povo é bandoleiro. Pedem para um tractor e compram um BMW. Pedem para um aviário e constroem uma vivenda. Somos assim e não há volta a dar, até porque quem dá subsídios já desvia metade para parte incerta e perde a moral de fiscalizar. Então, a intervenção tinha que ser mais directa. Muitos dos nossos agricultores são de pouca formação. Isso não é defeito, mas é condição para recusar novidades. Um homem que planta batatas há 50 anos da mesma maneira não aceita que um jovem engenheiro lhe diga que está a fazer mal. É preciso demonstrar e ensinar que há novas técnicas. Se a agricultura não evoluísse ao ponto da produção na Europa ter crescido 900% em 50 anos, já não haveria que comer com o aumento da população. A mecanização, a investigação e a formação podem, de uma forma consertada, tirar da terra o poderoso reforço que a nossa economia precisa. Assim haja vontade e bom senso.