Rádio Boa Nova – De Oliveira do Hospital para todo o mundo.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

SENTADO AO LUME - CRÓNICA SEMANAL

NESTA TERRA NÃO HÁ NINGUÉM

O grande problema com que debate o interior é a desertificação. As nossas aldeias perdem habitantes todos os anos. Lagos da beira não é excepção como se pode ver no gráfico abaixo. Os idosos cumprem a lei da vida e abandonam este mundo. Os jovens, com mais ou menos formação académica, vão embora. Não vão de boa vontade. Simplesmente não encontram aqui condições de vida que lhe são oferecidas noutros locais do país e do estrangeiro. Depois é fora da sua terra que se casam e têm filhos. Essa nova geração não se sente atraída pelas origens de seus pais e a maior parte dos pais também já não regressa. Em dez anos perdemos 130 pessoas. Daqui por mais dez anos seremos menos de 500. Note-se que não estou a contar com a união com a Lajeosa porque os números deste gráfico também não contam, visto que são de 2011. A Chamusca e a Póvoa já têm mais gente que Lagos. Em breve não seremos mais de 200 pessoas nesta terra. Isso já se nota. Há cerca de 20 anos tínhamos a Associação, o Café Pássaro, o Café Cascata, o Café “A Forja”, o Cortiço Bar, o Café Pôr do Sol e a taberna do “Trancas”. Tínhamos três mercearias e havia movimento para todos. Hoje estamos reduzidos ao Café Pôr do Sol e ao bar da Associação. Se quisermos uma caixa de fósforos ou um punhado de sal, temos que ir a Oliveira do Hospital. A nossa Escola Primária, ameaçada de fecho, tem apenas seis alunos e o Jardim de Infância tem três crianças. Até já estaria fechada se houvesse igualdade de critérios, mas é uma questão de tempo a não ser que venham alunos da Síria.

O que fazer para contrariar este estado de coisas? Enquanto as condições socioeconómicas da região ou do próprio país não melhorarem pouco ou nada pode segurar aqui a nossa juventude. Que condições temos para atrair pessoas? Temos habitação. Temos dezenas de casas desabitadas. Algumas estão à venda, outras podiam ser alugadas. Será possível a quem de direito incentivar o arrendamento? Sei que muitas casas precisam de obras, mas uma renda, mesmo baixa, poderia pagar as obras e ainda dar para o IMI. Não seria grande lucro, mas uma casa conservada e uma despesa a menos é bem melhor que uma casa em ruinas. Esse é outro problema. Há várias casas em risco de ruir. Esperemos que não venham a acontecer acidentes graves, até porque a culpa costuma morrer solteira.