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segunda-feira, 1 de maio de 2017

ASSOCIAÇÃO DESPORTIVA DE LAGOS DA BEIRA DE VENTO EM POPA

“Morte lenta”, “Sem esperança”, “Extinção”, são palavras ou expressões que eu usei, tanto verbalmente, como por escrito sobre a Associação Desportiva de Lagos da Beira. Engana-se quem pensa que usava tais termos como algum gáudio. Afinal, sou sócio desde os treze anos, comecei ali a trabalhar aos dezassete e só parei aos quarenta e dois, embora com algumas interrupções. Usava essas tristes palavras com mágoa, mas que mais podia mais dizer de uma coletividade que tinha que usar o plano “Z” de ter que alugar a casa para não se perder para sempre? Essa é a última solução e já nada tem a ver com associativismo. Também algumas vezes disse e escrevi que uma associação sem objetivos e que limita a vender copos, não serve para grande coisa. A oferta de cafés em Lagos não é grande, mas a procura também não, visto que somos cada vez menos. Uma associação que se limite a ser mais um café, não faz falta e acaba por desmotivar quem lá trabalha. Eu trabalhava na ADLB quando a nossa equipa levantou a taça de Campeão Distrital do INATEL. Eu fiz parte da Direção que andou de porta em porta, de telha debaixo do braço, a pedir dinheiro para o telhado da Sede. Esses mandatos estão na minha memória. Os mandatos, em que passei um ano a encher copos, não deixaram qualquer marca na minha mente, nem na instituição. 

Quando há quatro anos, uma equipa se propôs a recuperar uma associação moribunda, considerei tarefa difícil, mas não impossível, conhecendo eu a tenacidade das pessoas envolvidas. As coisas foram mudando e, pouco a pouco, foi-se instalando um novo espirito e uma nova consciência. Os jovens descobriram e os menos jovens redescobriram, o associativismo como forma de ocupar tempos livres autovalorizando-se, divulgar, animar e valorizar a sua terra e conviver. Conviver é mesmo o que mais falta na sociedade moderna que vive de olhos postos num ecrã na mais estúpida solidão. 

Tudo isto para dizer que hoje foi um dia apoteótico na vida mais recente da ADLB. A tradicional “Matança do Porco” não foi mais um almoço de amigos, como já se tem visto. Foi um verdadeiro hino ao convívio com um salão completamente cheio. Depois, não se serviram só os habituais torresmos, febras e vinho. Serviram-se sinais de um projeto a sério com um plano de atividades ambicioso, mas perfeitamente ao alcance da equipa diretiva e apoiantes. De obras na Sede à edição de um livro sobre a história da ADLB, haverá de tudo um pouco. O especial destaque vai para o regresso ao Campeonato do INATEL. A promoção do desporto em geral e o futebol em especial é o objetivo estatutário da associação. Nada fazer nesse campo, só não era uma falha, porque também compreendo as limitações de anteriores direções. O futebol, além da saudável prática desportiva, tem a virtude de unir as pessoas numa causa comum. É motivo de animação e convívio para esta terra que bem precisa. Outro objetivo desta equipa é homenagear pessoas que muito contribuíram para esta casa. O torneio de malha terá o nome de Alcides Garcia de Campos, sócio fundador e grande obreiro da ADLB. Um torneio de futebol terá o nome da Família Amaral Cabral que sempre apoiou a associação. Estas homenagens são da mais elementar justiça. 

O poder autárquico esteve presente em força nesta festa com a quase totalidade dos seus órgãos executivos. Tanto José António Guilherme, Presidente da Junta de Freguesia, como José Carlos Alexandrino, Presidente da Câmara Municipal, mostraram-se sensibilizados com a nova dinâmica da Associação Desportiva de Lagos da Beira. Ambos se comprometeram em apoiar a execução dos vários projetos a nível financeiro e logístico. 

Verificando que os membros dos órgãos sociais e colaboradores da ADLB trabalham em equipa não vou citar nem destacar nomes. Deixo aqui para todos eles uma palavra de parabéns e votos de muito sucesso. Termino com o apelo ao povo para que deem o vosso apoio a esta equipa que trabalha de forma voluntária para todos nós.