segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

O ELEFANTE BRANCO

Tarquínio Hall é um dos mais ilustres lagoenses de sempre. A sua vasta obra literária é elogiada por todos os que a conhecem, desde críticos especializados até ao mais leigo cidadão. Os seus trabalhos de investigação histórica permitem conhecer o nosso passado e servem de base para o trabalho de outros historiadores. A sua intervenção política caracterizou-se pela férrea defesa da cultura, do património e dos mais desfavorecidos. Tarquínio Hall amava a sua terra tanto como seu irmão, Virgílio Hall, que nos deixou valioso legado em testamento, para além de atos beneméritos com o associativismo da Freguesia. 

Era bem conhecida a vontade de Tarquínio Hall de ver a sua casa transformada numa porta aberta à cultura e onde se preservasse o seu vasto espólio bibliográfico. Ele sonhou e a obra nasceu com pompa e circunstância a 03 de julho de 2011. Fechou portas em outubro de 2017 por vontade da nova Junta de Freguesia. Seria de prever, visto que aquela casa já era vista com maus olhos pela oposição ao executivo anterior. As despesas correntes eram continuamente contestadas e classificadas de dinheiro mal gasto. Sabemos bem que uma biblioteca numa comunidade sem hábitos literários pode parecer inútil, mas estão lá livros centenários condenados à deterioração. Serão perdas irreparáveis, mas de somenos importância para quem defende o “ter” em vez do “ser”. A exposição do museu está vista e revista. Haja boa vontade e conhecimentos para a alterar. Haja boa vontade para dinamizar o espaço com atividades culturais e recreativas. Triste é andar por muitos locais e ter que dizer a quem me pergunta que a Biblioteca Museu Tarquínio Hall fechou as portas. As frases mais frequentes que ouço e com as quais tenho que concordar, são as que dizem que é uma vergonha para Lagos e uma falta de respeito para com a memória de Tarquínio Hall. Além da cultura era uma porta aberta para o idoso que não sabe ler uma carta ou não se entende com o telemóvel, para o jovem estudante em busca de informação, para todos os que ali faziam a declaração de IRS de forma acompanhada e gratuita. Isto tudo e ainda os serviços da Junta que ali eram feitos, além do muito mais que se poderia fazer. Tudo se resume a uma porta fechada a não ser que haja planos brilhantes e inovadores para o espaço. Se o argumento é dinheiro ou falta dele, posso afirmar que dois ou três por cento do orçamento anual é suficiente para manter a casa viva. Não me parece que seja despesa condicionante de qualquer atividade. Se a cultura não é importante, então é a História que nos mostra que, qualquer povo, que despreza tão precioso bem, está condenado ao fracasso e ao esquecimento.

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