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quarta-feira, 3 de março de 2021

A CASA DA FAMÍLIA CARVALHO MONTEIRO

Existe a ideia de que a casa em Lagos da Beira de António Augusto Carvalho Monteiro era a casa da quinta de António Gomes Lobo, já falecido. A grandiosidade da quinta e da casa que, com grande pesar dos donos e do povo, ardeu no incêndio de 2017, podem dar essa ideia. O torreão da quinta, tão ao gosto dos Monteiros, também deve ter contribuído para isso. De facto, a grande quinta foi propriedade de Carvalho Monteiro e por isso era chamada de quinta dos Fidalgos. No inicio dos anos 30, a herdeira Maria de Melo de Carvalho Monteiro vende a quinta a António Gomes Lobo e é este notável lagoense que constrói a casa. O que lá havia era o torreão e um barracão de arrumação. 

A casa da família Monteiro fica no Largo do Eiró, também chamado largo da Praça. Atualmente está dividida em três casas, estando duas desabitadas e à venda. (ver foto) Era de uma destas varandas que o Senhor Milhões atirava moedas à rebatina para o povo de Lagos da Beira.

AS TRÊS CASAS QUE CONSTITUEM O SOLAR DA FAMÍLIA CARVALHO MONTEIRO


terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

PADRE LUÍS ALVES DE CAMPOS

O Padre Luís Alves de Campos nasceu em Torroselo – Seia a 16 de
julho de 1878 e faleceu em Lagos da Beira a 9 de Janeiro de 1971. 

Em 1895, feita a instrução primária, estudou português e latim em Lagares da Beira com o célebre Padre Gama. Seguiu para o Piodão onde estudou Humanidades como Cónego Nogueira. 

Com vinte anos foi para a Guarda a fim de concluir os estudos teológicos. Foi ordenado Presbítero a 27 de Julho de 1902. Foi Pároco em Carragosela, Torroselo, Meruge e Lajeosa. Com a morte do seu tio homónimo, tomou conta de Lagos da Beira que paroquiou por 40 anos até 1954. 

Pelas palavras do seu amigo Dr. Tarquínio Hall, era um notável orador e timbrava pela elegância de porte, talhante de trato, muita bondade e grande tolerância. As suas arreigadas convicções monárquicas valeram-lhe algumas perseguições. 

À custa de sacrifícios pessoais e renúncia de bens de família, a ele se deve a construção de raiz de uma magnífica casa paroquial. 

Aos 90 anos de idade foi carinhosamente homenageado em Lagos da Beira. D. Frei Francisco Rendeiro, Bispo de Coimbra, salientou o facto do Padre Luís ser elo de uma família com tradições sacerdotais por mais de cem anos. 

CASA DA FAMÍLIA ALVES DE CAMPOS, TAMBÉM CHAMADA CASA DOS PADRES





CASA PAROQUIAL





domingo, 5 de abril de 2020

FRANCISCO AUGUSTO MENDES MONTEIRO

Nasceu em Lagos da Beira, concelho de Oliveira do Hospital, em 1816 e na sua árvore genealógica até ao século XVI, todos os seus ascendentes são desta zona do País. Contraiu matrimónio com Teresa Carolina Alves de Carvalho de quem teve três filhos, sendo um deles António Augusto Carvalho Monteiro. Faleceu em Novembro de 1890 na sua Quinta do Vadre, em São Domingos de Benfica, Lisboa.
Francisco Monteiro emigrou ainda jovem para o Brasil onde trabalhou como escriturário, tendo conseguido enorme fortuna, graças ao matrimónio com Teresa Carolina Alves de Carvalho, uma senhora de muitas posses, passando a partir daí a ser apelidado “Monteiro dos Milhões”, alcunha que o filho herdaria.
De regresso a Portugal, mais propriamente a Lagos da Beira, o seu nome ficaria ligado à ampliação e renovação da sua igreja paroquial.
Para esse efeito, ofereceu à Junta da Paróquia a quantia de um conto e duzentos mil reis (quantia exorbitante para a época) com o fim de restaurar o templo, sobretudo a sua fachada e edificar-se uma torre. Tão valiosa oferta ficou registada em ata da Junta referente à sessão extraordinária de 7 de Dezembro de 1856. Antes desses aumentos a igreja possuía uma dimensão modestíssima, pouco maior que uma capela. Segundo o testemunho dos populares, a razão de levantar-se a torre prendia-se ao motivo de que tanto Francisco Augusto Mendes Monteiro como o seu filho António Augusto Carvalho Monteiro, pretendiam ver os sinos tocar na igreja desde a sua casa.
O poder financeiro dos membros desta família era tanto e tamanho que o povo apelidou-os de “Fidalgos”, não só pela sua proximidade à Igreja e à Coroa mas como indicativo de “distintos”, dizendo-se até hoje que tudo o que tenha muros de pedra em Lagos da Beira era propriedade sua.
Francisco Mendes Monteiro foi comendador da Ordem da Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, e muito provavelmente mordomo da Irmandade de São Miguel das Almas, que teve larga atividade e importância em Lagos da Beira. Foi também grande amigo de D. Fernando II e quase de certeza mecenas de muitas obras de recuperação do património português, em boa hora encetadas pelo “Rei-Artista”.
A título de curiosidade, podemos informar que tanto Francisco Augusto Mendes Monteiro como o filho António Augusto Carvalho Monteiro, assim como D. Fernando II, fizeram parte da primeira direção do Jardim Zoológico de Lisboa.


quinta-feira, 21 de julho de 2016

TARQUÍNIO HALL - FOTOS INÉDITAS

Tarquínio Hall surge nestas fotos encontradas entre velhos documentos com idade de 48, 54 e 58 anos. Simples curiosidades sobre uma das figuras mais ilustres da Freguesia. 


quinta-feira, 19 de novembro de 2015

FIGURAS - BENEMÉRITO JOAQUIM GARCIA DE ALMEIDA

SALÃO DO BAIRRO COM O NOME DO BENEMÉRITO EM AZULEJO
O benemérito Joaquim Garcia de Almeida era um homem simples e de uma bondade cativante. Vivia na companhia de duas irmãs, senhoras de fino trato e esmerada educação. Sendo solteiro, não tinha herdeiros. Assim o povo perguntava porque é que ele era tão poupado, se não tinha ninguém que herdasse a sua considerável fortuna. Acontece que ele tinha um sonho só próprio de grandes homens: investir a sua fortuna numa obra que bafejasse as famílias mais pobres da sua terra e nesse tempo havia muita miséria. Assim, à sua morte, deixou em testamento valor suficiente para a construção de um bairro social. A obra nasceu e o dito bairro, designado por Obra Social Joaquim Garcia de Almeida, foi inaugurado em 1956. As casas foram atribuídas a seis famílias das mais numerosas e de parcos recursos, com rendas simbólicas. As casas têm três quartos, sala, cozinha, casa de banho e loja para arrumações. Divisões amplas e arejadas. Cada casa tem ainda um espaço para jardim. Actualmente há três casas desabitadas, apesar das baixas rendas pedidas. Mais um sintoma da desertificação da aldeia. O bairro, feito pela Junta de Freguesia de Lagos da Beira, pertence à Fundação Aurélio Amaro Dinis. Como lá foi parar é um mistério.


BAIRRO SOCIAL JOAQUIM GARCIA DE ALMEIDA

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

FIGURAS - 1 - PROFESSOR JOSÉ JOÃO DA FONSECA E DONA MARIA DA RESSURREIÇÃO GUILHERME HALL

As pessoas mais importantes de uma comunidade são todas. No entanto há sempre quem se destaque pela sua obra, pelo seu exemplo, pela sua dedicação a causas comuns. Abre-se aqui uma nova página onde tentarei recordar pessoas que marcaram a vida desta Freguesia.

PROFESSOR JOSÉ JOÃO DA FONSECA E DONA MARIA DA RESSURREIÇÃO GUILHERME HALL

O Professor José João da Fonseca nasceu em Aldeia Velha, Concelho do Sabugal em 22 de Fevereiro de 1890. Concluiu o curso da Escola Normal da Guarda e concorreu para a escola do sexo masculino da Freguesia de Lagos da Beira, onde foi colocado em 29 de Novembro de 1913. Em Dezembro de 1914 casou com Dona Maria da Ressurreição Guilherme Hall, também professora em Lagos da Beira na escola para o sexo Feminino. Sem prejuízo para a sua actividade docente, onde foi figura das mais destacadas como mestre e pedagogo, o Professor José João, desempenhou durante vários anos funções de vereador na Câmara Municipal de Oliveira do Hospital com o pelouro da instrução. Esteve também à frente da Junta de Freguesia de Lagos da Beira durante 20 anos, sendo 16 como presidente. Dessa actividade destaca-se a ligação de estrada a Oliveira do Hospital e posterior alargamento e as obras de ampliação do cemitério. Faleceu a 29 de Junho de 1966 com 76 anos.
PROFESSOR JOSÉ JOÃO DA FONSECA COM SUA ESPOSA, DONA RESSURREIÇÃO
E SEU FILHO VIRGÍLIO HALL 
Dona Maria da Ressurreição Guilherme Hall nasceu em Aldeia das Dez a 14 de Fevereiro de 1888. Diplomada com distinção pela Escola Normal de Coimbra, foi a primeira professora a exercer funções docentes na escola do sexo feminino de Lagos da Beira, tomando posse em 1912. Aliando o muito saber a uma inteligência fulgurante, a professora Dona Ressureição, destacou-se como educadora das mais competentes da região. Faleceu a 3 de Maio de 1974 com 86 anos. Estas duas figuras foram pais de outras duas personalidades incontornáveis: Tarquínio Hall e Virgílio Hall, de que falarei noutro artigo.