domingo, 24 de agosto de 2025
segunda-feira, 1 de abril de 2024
quarta-feira, 27 de março de 2024
segunda-feira, 11 de março de 2024
domingo, 10 de março de 2024
ELEIÇÕES LEGISLATIVAS 2024 - RESULTADOS NA FEREGUESIA
Os resultados das eleições na U.F Lagos da Beira e Lajeosa dão a vitória ao PS - 289 votos. A AD fica em segundo lugar com 262 votos e o CHEGA consegue 116 votos.
Fonte: Rádio Boa Nova
sábado, 20 de janeiro de 2024
terça-feira, 4 de abril de 2023
MORTE ANUNCIADA DE UMA CARVALHA SECULAR
O Adro da Igreja Matriz de Lagos da Beira é a sala de vistas da terra. Além da igreja, também se localiza aqui o edifício sede da junta de freguesia, que já teve outros usos, um cruzeiro do século XIX, cuja base parece ser mais antiga e uma carvalho secular.
Atualmente tem apenas o nome de Adro, mas já teve outros nomes como Largo de São João, visto que o padroeiro da igreja é S. João Batista e Largo do Padrão. Este nome, sem certeza, deve-se ao cruzeiro que podia ser chamado de padrão. Existe ainda a travessa do Padrão que alinha com as escadas do adro.
O enorme carvalho (Quercus faginea) popularmente designado de carvalha. Apesar do seu aspeto imponente é apenas um rebento da árvore original. Estas árvores podem viver durante mais de mil anos e este carvalho também já é secular, estando a caminhar para os 500 anos de vida. Para sabermos a idade desta árvore podemos socorrer-nos de documentos. Em 1758, o Padre José Quaresma Soares responde a um inquérito sobre os efeitos do terramoto de 1755. No seu relatório, o dito Padre refere-se a duas carvalhas de superior grandeza e que segundo lhe tinham dito, possuíam já 150 anos naquele tempo. (fig.1)
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| Fig. 1 - Recortes do jornal Comarca de Arganil |
Podemos então fazer o seguinte cálculo: À data de 1758 tiramos os 150 anos que as carvalhas já tinham, embora se dissesse mais de 150. 1758 – 150 = 1608. Esta será a data aproximada em que plantaram as carvalhas. Dessa data para a data atual, podemos fazer a conta: 2023 – 1608 = 415 anos. Mais de 415 anos será a idade desta carvalha. Sobre a outra que ali existia não se sabe onde estava localizada nem em que data foi abatida.
No inicio do século XX, alguém teve a infeliz ideia de usar fogo para destruir um ninho de vespas. O fogo acabou por destruir uma boa parte da árvore. Pessoas mais idosas ouviram dizer aos seus pais que a carvalha tinha mais de cinco metros de diâmetro, sendo preciso onze homens para a abraçar. Nos anos 40 do século passado, um violento temporal fez cair um dos ramos da velha carvalha. Ainda assim recuperou e continuou a ser uma frondosa árvore. (Fig. 2)
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| Fig.2 - Carvalha nos anos 90 - Séc. XX |
Por essa altura, o Padre da Paróquia teve intenções de cortar a carvalha. Tocou o sino a rebate, fazendo juntar o povo que, em revolta, não deixou que a carvalha fosse cortada.
Em 2009, outro temporal fez cair um dos maiores ramos, reduzindo a velha árvore àquilo que ela é hoje. (Fig. 3)
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| Fig.3 - Carvalha após o temporal de 2009 |
Mesmo tendo perdido a grandiosidade de outros tempos, continuava a impressionar os visitantes. (Fig. 4)
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| Fig.4 - Carvalha em 2015 |
A carvalha está intimamente ligada ao povo de Lagos da Beira.
• Era aqui se realizavam as festas de S. João.
• Até 1948 era o espaço de recreio da escola primária que funcionava no atual edifício da Junta de Freguesia. (Fig. 5)
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| Fig. 5 - Alunos e professoras em frente à antiga escola no adro |
• Ali foi inaugurada com grande festa a luz elétrica em 1951.
• Era à sombra da carvalha que atuava o Grupo Musical Instrução e Recreio que aí tinha a sua sede, a chamada casa da música. (Fig. 6)
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| Fig.6 - Grupo Musical Instrução e Recreio - Fins dos anos 40 |
• Também era aqui que atuavam as “contradanças”, grupos de danças e cantares que nos visitavam pelo Carnaval.
• Na Quaresma, época em que não podia haver festas, reuniam-se aqui os jovens divertindo-se com jogos tradicionais como a panelinha ou a malha.
• Pelo São Martinho realizavam-se aqui grandes magustos.
• Pelo Natal, o extinto Grupo de Jovens de Lagos da Beira, montava aqui um presépio com figuras de tamanho real. O tronco da carvalha era parte da gruta de Belém.
• Era o local onde se realizavam as tradicionais fogueiras de Natal.
A grande e velha carvalha faz parte da vida de todos os lagoenses dos últimos quatro séculos. Plantada no tempo dos Filipes, assistiu à restauração da independência e conheceu mais 16 monarcas. Assistiu à implantação da república, à ascensão do fascismo e à conquista da liberdade e da democracia. Por mais de duzentos anos esteve na vila sede de um vasto concelho. Por outro tanto tempo, esteve na sede da freguesia de Lagos da Beira que agora faz parte da união de freguesias de Lagos da Beira e Lajeosa. Apesar de nunca ter sido classificada nem estar em vias disso, é património do povo.
Acontece que a velha senhora está a morrer. Em 2022 começaram a secar as folhas. Como isso é normal no outono, havia a esperança de se voltar a encher de folhas verdes na primavera. Chegados a abril, tal não aconteceu. Será que a árvore vai vencer o mal que a atormenta? Será que precisa de uma ajuda humana?
quarta-feira, 11 de maio de 2022
FUNERAL DO DR. JOAQUIM EMÍLIO DO AMARAL CABRAL
Tal como noticiado aconteceu hoje o funeral do Dr. Joaquim Emílio do Amaral Cabral. As cerimónias fúnebres decorreram na Igreja Matriz de Lagos da Beira. Como seria de esperar, estiveram presentes algumas das personalidades mais importantes a nível local e nacional. Localmente, Refiro-me a todo o executivo da Junta de Freguesia liderada por Nuno Batista, todo o executivo da Câmara Municipal liderado por Francisco Rolo e o presidente da Assembleia Municipal José Carlos Alexandrino, também deputado na Assembleia da Republica. A nível nacional esteve presente Marcelo Rebelo de Sousa, não nas suas funções de Presidente da Republica, mas devido à sua relação com a Dra. Rita Maria Lagos do Amaral Cabral, filha do ilustre falecido. O cortejo fúnebre até ao cemitério teve o acompanhamento da Irmandade de Santa Ana de Oliveira do Hospital e a Irmandade de São Miguel de Lagos da Beira. Destaco também a presença do Cónego Sertório Martins, antigo pároco de Lagos da Beira.
Um pequeno texto da autoria de Vítor Fernandes deu voz a uma singela homenagem do povo lagoense e foi lido por Fernanda Madeira. Segue-se o referido texto:
Ontem, dia 9 de maio, uma onda de profunda tristeza invadiu esta pequena e singela aldeia de Lagos da Beira. Faleceu alguém por quem todos nós lagoenses temos o maior respeito, admiração e carinho. A maior parte de nós cresceu a ver o Doutor Joaquim Emílio nos seus passeios até à quinta do Boco. Pelo caminho cumprimentava toda a gente de forma afável, com o seu sorriso luminoso e generoso. Generosidade é mesmo a palavra que melhor define esta figura da nossa terra. Generosidade que tanto se manifestava na nota que, dissimuladamente, dava aos menos afortunados como no custeio de grandes obras realizadas ao longo dos anos. Entre tantas obras, recordo aqui o restauro da Igreja Matriz em 1959. Note-se que tal ato benemérito foi por vontade expressa de sua mãe, Dona Maria da Luz Madureira Ribeiro do Amaral, falecida dois anos antes. Eis outra figura que o nosso povo não esquece e que, por razões de sobra, apelidou de “Mãe dos Pobres”. O Doutor Joaquim Emílio terá herdado a bondade e a nobreza de caráter da sua mãe e soube por em prática ao longo da sua vida tão distintas virtudes. Homem profundamente religioso regeu a sua vida pelos ensinamentos fundamentais da fé cristã e soube transmitir à sua descendência esses mesmos valores. Todos nós conhecemos os seus filhos e filhas como pessoas de bem. O mesmo acontece certamente com as novas gerações que, tal como seguem o caminho da Quinta do Boco, seguem também o caminho as mais nobres tradições desta excelsa família. Família de que o Doutor Joaquim Emílio do Amaral Cabral foi um pilar fundamental. Foi e continuará a ser enquanto houver memória e as boas e marcantes memórias são fogos eternos que iluminam as nossas vidas e nunca se apagam.
Ontem, dia 9 de maio, uma onda de profunda tristeza invadiu esta pequena e singela aldeia de Lagos da Beira, mas há o reconforto da certeza de que o Doutor Joaquim Emílio, por obras valorosas se libertou da lei da morte. Faz parte da nossa História e a História não é só passado. É também presente e futuro. Viverá para sempre na nossa memória coletiva e acima de tudo, viverá para sempre nos nossos corações.
terça-feira, 22 de março de 2022
CENSOS 2021 - UM DESAFIO
Os resultados, ainda provisórios, dos Censos 2021 não são animadores para a freguesia e para o concelho. Mantêm-se a tendência das últimas décadas de perder população. O concelho perdeu 6,9% dos moradores num total de 1439 pessoas. Das 16 freguesias, apenas Lourosa e a U.F Oliveira do Hospital e S. Paio de Gramaços tiveram um ligeiro aumento da população de 0,7% e 2,2% respetivamente. Em termos de percentagem, as freguesias que mais perderam foram São Gião (19,8%) e Avô (20,5%).
A freguesia Lagos da Beira e Lajeosa passa de 1335 moradores em 2011 para 1127 em 2021, perdendo assim 208 pessoas (-15,6%). Analisando o gráfico, concluímos que o número de habitantes tem vindo a cair de forma abrupta desde 1991. Ou seja, em 30 anos perdemos 533 pessoas. Note-se que os números de 2011 resultam da soma das extintas freguesias de Lagos e Lajeosa. Contrariar esta tendência é o maior desafio que o poder autárquico enfrenta os dias de hoje. É preciso tomar medidas drásticas antes que as nossas terras sejam aldeias fantasma como já existem algumas. Segue-se o gráfico e algumas tabelas de análise.
Todos os resultados podem ser consultados no site:
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